Rússia é banida dos Jogos Olímpicos de Inverno por causa de doping

ssia foi banida pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) de participar dos Jogos Olímpicos de Inverno PyeongChang (Coreia do Sul), que serão realizados entre os dias 9 e 25 de fevereiro.

O banimento é uma resposta ao escândalo de doping em que o país envolvido.

Para tomar a decisão, o COI baseou-se em relatório produzido por sua comissão disciplinar, que foi liderada pelo suíço Samuel Schmid.

Esta é a primeira vez na história que uma nação é proibida de participar de uma Olimpíada, seja ela de Verão ou de Inverno, por causa de doping. Isto acontece apenas quatro anos após a Rússia sediar os Jogos em Sochi, que tiveram o custo mais alto da história das Olimpíadas –consumiram ao todo US$ 51 bilhões, a ampla maioria em dinheiro público.

A Rússia é uma das dez principais potências olímpicas em esportes de inverno, com mais de 110 pódios conquistados em Olimpíadas.

Apesar do banimento total ao Comitê Olímpico Russo (ROC, em inglês), atletas do país poderão competir nos Jogos em competições individuais ou de equipes.

Estes competidores atuarão sob o nome de Atleta Olímpico da Rússia (OAR, na sigla em inglês) e a bandeira olímpica. Nas cerimônias de premiação, será executado o Hino Olímpico.

Para ter a participação autorizada pelo COI, estes atletas precisarão provar que têm a ficha limpa e não estão envolvidos no escândalo de doping.

Outra medida anunciada nesta terça-feira (5) pelo COI é a proibição de Vitali Mutko, ex-ministro do Esporte e atualmente vice, de estar presente em qualquer Olimpíada a partir de agora. Mutko é o presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2018.

Alexander Zhukov, presidente do ROC, foi suspenso como membro do COI. Além disso, nenhum oficial do Ministério de Esporte da Rússia será credenciado para os Jogos de PyeongChang.

A decisão tomada agora pelo COI é muito mais dura do que a deliberada antes dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Naquela ocasião, o órgão delegou às federações internacionais de cada modalidade permitir ou não a participação de atletas russos sob a bandeira do país, desde que provassem que estavam limpos.

Da lista inicial de 389 atletas inscritos pelo ROC na Rio-2016, somente 278 foram liberados para participar do evento no Brasil.

No atletismo, o país teve apenas uma representante: Daria Klishina. Ela foi liberada pela Iaaf (Associação das Federações Internacionais de Atletismo), que alguns meses antes havia suspenso a federação russa da modalidade.

Por causa do escândalo de doping que resultou na exclusão da Rússia de PyeongChang, o país já teve cassadas 11 medalhas ganhas na Olimpíada de Sochi-2014, sendo quatro de ouro, seis de prata e uma de bronze. Em razão disso, a Rússia caiu do primeiro para o quarto lugar no quadro de medalhas.

O Comitê Paraolímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês) foi mais duro na época da Rio-2016 e, como faz agora o COI, proibiu a participação de atletas russos.

Argumentou que o Comitê Paraolímpico Russo não tinha condições de “garantir a adequação nem a fiscalização de acordo com o código anti-dopagem do IPC, nem com o código anti-dopagem mundial dentro da sua jurisdição nacional, e nem respeitar as suas obrigações fundamentais como membros do IPC.”

INVESTIGAÇÃO

O que gerou a derrocada russa foi um documentário: “Top Secret Doping: How Russia makes its Winners” (“Doping Secreto: Como a Rússia faz seus Vencedores”), levado ao ar pelo canal alemão ARD em dezembro de 2014. O filme denunciou as irregularidades nas políticas antidoping do país graças à delação de um ex-funcionário da Rusada (agência antidoping da Rússia) e sua mulher que era atleta.

Neste ano, a ARD produziu um documentário sobre falhas no controle antidoping no Brasil.

Devido às revelações da produção, a Wada (Agência Mundial Antidoping) encarregou uma comissão independente –liderada por Dick Pound, membro do COI e ex-presidente da própria Wada– de produzir um relatório sobre a questão.

Revelado em novembro de 2015, o conteúdo do relatório, que tinha 323 páginas, foi bombástico. A comissão afirmou que havia uma campanha para promoção do doping no esporte de alto rendimento da Rússia que contava com a colaboração do governo, serviço secreto, atletas, técnicos e organizações.

A força-tarefa também recomendou à Iaaf que banisse, até segunda ordem, o atletismo russo de competições internacionais, o que foi acatado no mês seguinte e permanece em vigor até hoje. A Rusada e os laboratórios de Moscou também perderam sua credencial da Wada.

“A Wada acredita que o COI tomou uma decisão correta ao sancionar a Rússia por seu envolvimento na manipulação institucionalizada do controle antidoping antes, durante e depois dos Jogos de Inverno de Sochi”, disse o presidente da agência mundial, Craig Reedie, nesta terça.

De acordo com a apuração, o governo russo interferia diretamente nos dois laboratórios, cujos resultados das análises foram tidos como suspeitos. O de Moscou teria recebido pagamento para esconder testes que poderiam revelar doping.

A comissão disse ter descoberto um segundo laboratório na capital russa, com estrutura idêntica ao do credenciado, que seria usado para acobertar testes positivos. Outras irregularidades, como coação e pagamento de propina a oficiais de coleta, também foram apontadas.

As descobertas eram sem precedentes na história do esporte mundial. Por sua vez, as autoridades russas sempre negaram as acusações.

A Iaaf promoveu mudanças em seus procedimentos antidoping. Em abril deste ano, lançou a Unidade de Integridade do Atletismo, órgão que funciona de maneira independente e tem como função servir de paradigma no combate ao doping na modalidade.

A unidade tomou a responsabilidade de conduzir todo o controle antidoping que antes pertencia ao departamento médico e antidoping da própria Iaaf.

Além da reforma interna, a Iaaf também criou uma comissão para acompanhar o processo de recredenciamento da federação de atletismo da Rússia, que só será readmitida quando atingir parâmetros de lisura desejados.

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